sábado, 26 de junho de 2010

Casa da Dona Yaya - crônicas da cidade plural




Na rua Major Diogo, número 353, a duzentos metros se tanto do Teatro Brasileiro de Comédia há uma edificação que se convencionou chamar de “Casa da dona Yayá”.
Totalmente restaurada a casa abriga o Centro de Preservação e Cultura da Universidade de São Paulo.
Cheguei ali numa manhã de sol firmemente decidido a desvendar o insondável mistério da pretensa loucura da jovem Sebastiana de Melo Freire.
Construída em 1881, a residência passou por três proprietários antes de chegar às mãos de Sebastiana.
A propriedade sofreu ampliações e reformas, entretanto engana-se quem desejar atribuir à moça qualquer influência pessoal na construção, reforma ou ornamentação dos salões e quartos.
Na verdade o curador de Sebastiana de Melo Freire foi quem alugou o imóvel. Depois considerou melhor e comprou-o.
Na pequena São Paulo, apesar de demorar a pequena distância da praça de Sé, um ou dois quilômetro se tanto, a residência da rua Major Diogo ficava na zona rural da cidade. Se não totalmente campestre, pelo menos nos arrabaldes , longe de todos e de tudo.
Era um arranjo que convinha à destinação que queriam lhe dar.
Os papéis de parede foram removidos e os belos à frescos foram tapados por camadas de tinta de tons neutros. Os janelões receberam discretas grades de ferro disfarçadas nas madeiras e só podiam ser abertos pelo lado de fora. Os pisos foram revestidos com cortiça.
Nos banheiros as torneiras foram retiradas e a água passou a verter por buracos na parede.
E num triste dia, aos trinta e dois anos de idade, Sebastiana de Melo Freire foi encarcerada para sempre.
Prisioneira domiciliar, passou naquele cárcere privado os últimos quarenta e dois anos da sua vida.
Morreu aos setenta a quatro anos de idade no Hospital São Camilo para onde ela fora removida em estado desesperador. Seu crime? Provavelmente o de tentar usufruir e talvez administrar uma das maiores fortunas da época.
Larry Coutinho ( texto e foto)







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